Sunday, June 2, 2013

165 - A Romagem dos Marretas

Juntaram-se recentemente uns quantos marretas na Aula Magna da UCL, a pedido do pirómano Soares, do pateta-alegre, perdão, do poeta Alegre e dos penitentes catastrofistas do costume. Juntaram-se em romagem os marretas-mor do reino. Não valeria a pena perder tempo com o assunto ou sequer mencioná-lo, que não merece, mas foi surpreendente o efeito de eco que lhe foi dado pelos órgãos de comunicação ("comunicação", por oposição a "informação").
Depois da “brigada do reumático” no fim da ditadura de direita, de má memória, temos agora a “brigada da senilidade” dos saudosistas das ditaduras de esquerda, que perderam a memória. Num caso como noutro, uma demonstração de desespero por falta de protagonismo, tão ridícula como inútil.
Na aula magna o vazio de substância foi ensurdecedor, até o bloco de esquerda sozinho faz melhor... Esta gente endoideceu. Clamar por revoltas, atentados e revoluções em tempo de crise, é próprio de quem deixou de aprender com a experiência. De quem congelou numa idade do gelo da memória. De quem não se apercebe que já pertence ao arquivo morto da história.
Estavam lá também alguns dos “despenteados por dentro do crânio”, uma fauna em crescimento demográfico, talvez devido à progressiva diminuição da inteligência média das populações (pelo menos é o que pretende um estudo (?) da Universidade de Amesterdão, muito noticiado recentemente, como tendem a ser todas as idiotices que os jornalistas chamam “de interesse humano”...).
Não, estas romagens não acontecem porque a estupidez humana está a aumentar, mas sim porque há gente irresponsável que não consegue parar de debitar todas as fantasias e enormidades que lhes passam pela cabeça, geralmente sem conhecimento, sem estudo e sem reflexão. Gente que não existe sem as luzes da ribalta, gente que se transformou em hologramas que desaparecem quando a luz se apaga. Para se manterem sob os holofotes são capazes de tudo, todas as contorções, todas as contradições, todas as explorações.
Neste momento, o que “está a dar” é a exploração das dificuldades reais do país e dos portugueses, a hipocrisia de ganhar popularidade à custa das tragédias dos outros. Querem lá saber das medidas que o país realmente precisa para endireitar as finanças e recuperar a economia. Que o actual governo vá conseguindo alguns progressos, embora insuficientes, só sublinha a incompetência dos governos anteriores, uma coisa que os marretas não podem suportar. E repetem até enojar que este governo legitimamente eleito deixou de ter legitimidade (então quem tem?); que não acerta “nos números” (quais números? os da lotaria? sabem que a economia não é uma ciência exacta? sabem que nunca nenhum governo acertou “nos números”, pois estes são por natureza evolutivos?). 
Francamente, este frenesim lembra o ditado latino: Asinus asinum fricat (em tradução livre: os burros coçam-se uns aos outros)...

JSR 

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